quarta-feira, 4 de junho de 2014

Recursos e estratégias em baixa tecnologia que possa apoiar o aluno com TGD em seu dessenvolvimento



Universidade Federal do Ceará
Cursista: Conceição Maria Amaral Afonso
Turma: T29a
Disciplina: TGD (TEA)
Data: 30/05/2014
Atividade 3ª: Recursos e estratégias em baixa tecnologia que possa apoiar o aluno com TGD em seu desenvolvimento.

Muitos alunos podem apresentar dificuldades na fala ou na escrita devido a impedimentos motores, cognitivos, emocionais ou de outra ordem. Essas restrições funcionais impedem os alunos com deficiência de expressar seus conhecimentos, suas necessidades, seus sentimentos, e é bastante frequente que as famílias e as pessoas em geral confundam tais restrições com a impossibilidade de conhecer, de aprender, de gerenciar a vida, de ser sujeito da própria história.
Alunos com paralisia cerebral e sem comunicação, surdocegos, aqueles que possuem deficiência mental e dificuldades na fala e tantos outros que estão limitados na interação com seus pares tornam-se passivos e dependentes da atenção de adultos. É comum ver como as famílias, cuidadores, amigos e também professores antecipam e atendem necessidades, falam por, determinam o que é bom e importante para a outra pessoa e esta, deixa de existir ou nem mesmo sabe que pode existir.
Outra consequência dessa dificuldade de expressar sentimentos é o comportamento agressivo ou de rejeição do conhecimento que alguns alunos podem manifestar, quando está compreendendo tudo o que se passa ao redor, sem poder comunicar seus sentimentos e opiniões a respeito.
Os alunos com impedimentos na comunicação nem sempre participam dos desafios educacionais, porque os professores desconhecem estratégias e alternativas de comunicação. Para garantir a esses alunos meios de expressarem suas habilidades, dúvidas e necessidades, faz-se necessário descobrir meios de compreender de que forma eles estão processando e construindo conhecimentos. Como fazer para ampliar ou promover uma via alternativa de comunicação para esses alunos?
Existe uma área de conhecimento chamada Tecnologia Assistiva (TA), que trata da resolução de dificuldades funcionais de pessoas com deficiência. A TA visa solucionar problemas de mobilidade, auto-cuidado, adequação postural, acesso ao conhecimento, produção de escrita entre outros.
A área da TA que se destina especificamente à ampliação de habilidades de comunicação é denominada de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).
A Comunicação Aumentativa e Alternativa é destinada a pessoas sem fala ou sem escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever (BERSCH & SCHIRMER, 2005).
A CAA possibilita a construção de novos canais de comunicação, através da valorização de todas as formas expressivas já existentes na pessoa com dificuldade de comunicação.
Gestos, sons, expressões faciais e corporais devem ser identificados e utilizados para manifestar desejos, necessidades, opiniões, posicionamentos, tais como: Sim, Não, Olá, Tchau, Dinheiro,
Banheiro, Estou bem, Tenho dor, Quero (determinada coisa para a qual estou apontando), tenho fome e outras expressões utilizadas no cotidiano.
Com o objetivo de ampliar ainda mais o repertório comunicativo que envolve habilidades de expressão e compreensão, são organizados e construídos recursos como cartões de comunicação, pranchas de comunicação, pranchas alfabéticas e de palavras, vocalizadores ou o próprio computador que, dependendo da maneira como for utilizado, pode tornar-se uma ferramenta poderosa de voz e comunicação.
Os recursos de comunicação de cada pessoa são construídos de forma totalmente personalizada e levam em consideração várias características que atendem às necessidades deste usuário.

As pranchas são organizadas nas pastas de comunicação. Normalmente a prancha índice ou prancha principal posiciona-se na primeira página e as demais ocupam as páginas seguintes.
É recomendável estipular uma ordem na sequência das pranchas temáticas e procurar mantê-la. Com a localização consistente, o aluno memoriza a posição das pranchas e passa acessá-las de forma mais rápida. Outra ideia é colocar nas folhas das pastas abas que identificam o tema a ser explorado naquela prancha.
                                           
Duas pastas de comunicação com diferentes formatos. Na primeira pasta, as folhas impressas com os símbolos são colocadas numa pasta comum com sacos plásticos. Pequenas abas verdes indicam a mudança de temas entre as folhas. Na segunda pasta, as folhas impressas foram plastificadas individualmente e encadernadas em espiral. As abas que sinalizam mudanças de temas e vocabulários das páginas mostram um símbolo representativo do tema de cada página.

REFERÊNCIAS
BERSCH, R.; SCHIRMER, C. Tecnologia Assistiva no processo educacional. IN.: BRASIL.
Ministério da Educação. Ensaios pedagógicos - construindo escolas inclusivas: 1 ed. Brasília:
MEC, SEESP, 2005.
BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de educação Especial na Perspectiva
da Educação Inclusiva. Brasília: Revista Inclusão, v.4, nº 1, 2008.
ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: José Olympio. Brasília: Thesaurus, 1970.
ZABALA, J. S. Using the SETT Framework to Level the Learning Field for Students with
Disabilities, 2005. Disponível em: http://www.ode.state.or.us/initiatives/elearn ing/nasdse/settintrogeneric2005.
pdf. Acesso em: 26 nov 2008.
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar
Recursos Pedagógicos Acessíveis e Comunicação Aumentativa e Alternativa