Práticas
Pedagógicas na Perspectiva Inclusiva da Pessoa Surda – PS
Conceição Maria Amaral Afonso
A educação
escolar do aluno com surdez há dois séculos, quando se instaurou um embate
político continua sendo um grande desafio, que ainda enfrentam inúmeros
entraves, prejudicando-os, pela falta de estímulos adequados ao seu potencial
cognitivo, sócio afetivo, lingüístico e político cultural.
De acordo com a
Política nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva
(2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas
práticas sociais institucionais para promover a participação e aprendizagem dos
alunos com surdez na escola.
As escolas precisam de
ambientes educacionais estimuladores, para que se estabeleçam mediações
simbólicas, para não comprometer o desenvolvimento do pensamento, da linguagem
e da produção de sentidos, reverendo suas práticas pedagógicas.
Diante disso, precisam-se conhecer profundamente
as políticas de inclusão, e assim ultrapassar a visão que reduz o problema da
escolarização das pessoas com surdez ao uso das línguas que irão proporcionar
na sua vida cotidiana. O problema da educação das pessoas com surdez não pode
continuar sendo centrado nessa ou naquela língua como ficou até agora, mas deve
levar-nos a compreender que o foco do fracasso escolar não está só nessa
questão, ma também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.
Por isso, é necessário discutir que, mais
do que uma língua, as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais
estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva.
A aquisição da língua de sinais, de fato não é a garantia de uma aprendizagem
significativa. O Decreto 5.66 de 5 de dezembro de 2005, que determina o direito
de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez, em que a Língua
Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade
escrita, constituam línguas de instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra
de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de
todo o processo educativo.
Nesse contexto o atendimento educacional
especializado para pessoas com surdez – AEE/PS, na perspectiva inclusiva,
estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial
e das capacidades desse ser humano, vislumbrando o seu pleno desenvolvimento e
aprendizagem. As diferenças desses alunos serão respeitadas, considerando a
obrigatoriedade dos dispositivos legais, que determinam o direito de uma
educação bilíngüe, em que Libras e Língua Portuguesa escrita constituam línguas
de instrução no desenvolvimento de todo o processo educativo.
Dessa forma, o AEE PS, precisa ser
pensado em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem
dicotomizações, reducionismos, mas com uma ação conectada entre pensar e o
fazer pedagógico. Com isso, certamente, o ambiente de aprender a aprender será
adequado e sustentará que o professor e o aluno com surdez interajam com a sala
de aula comum, produzam pela mediação pela compreensão dos conhecimentos, a
partir, de novas práticas metodológicas, com suas estratégias e recursos de
ensino.
De acordo com esses preceitos, essa ação
pedagógica entre o conhecedor, o conhecimento e o conhecido, não fica escrita
ao conhecimento do mundo físico, dos objetos no plano concreto. Ela também se
realiza por meio de exercícios reflexivos, intuitivos e abstratos, baseados,
baseados na complexidade do fenômeno inter e intra humano e no meio vivencial,
de forma processual, e exige muita investigação e atos educativos ligados à
necessidade do aluno com surdez, por meio de sistemas complexos que são
auto-organizados. Nesse conjunto, esse aluno é trabalhado a partir da compreensão
do ciclo de desenvolvimento e aprendizagem, respeitando os campos pedagógicos e
lingüísticos das duas línguas no AEE PS.
REFERÊNCIA
DAMÁZIO. Mirlene Ferreira Macedo ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – Pessoa com
Surdez
- SEESP / SEED / MEC
Brasília/DF –
2007
Marcos
Políticos-Legal da EDUCAÇÃO ESPECIAL na Perspectiva da Educação Inclusiva.
MEC/Brasília 2010.
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial
na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de
Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção.
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